Como a mulher negra se encaixa na meritocracia do mercado de trabalho tecnológico?

Não é novidade para nós, mulheres negras, o modo que somos inseridas no mercado de trabalho. Sempre colocadas em serviços subalternos e subumanos. O que quero enfatizar neste texto é a forma que a sociedade nos ensina a vencer isso com nosso mérito. Mulheres negras que conseguem ter acesso a um estudo de qualidade mínima, com base familiar entre outros fatores que impulsionam a entrada no mercado de trabalho que exige um currículo extenso, são cobradas diariamente a estudarem mais, a se dedicarem mais, a mostrar mais trabalho, mesmo tendo o currículo impecável.

 

Mas por que isso acontece?

 

A primeira coisa que precisamos pontuar é que se a população periférica não tem um estudo de qualidade, pessoas negras não tem estudo de qualidade, quem dirá mulheres negras. Nossas mães e avós eram lavadeiras, domésticas, faxineiras e cozinheiras. O ciclo vicioso do racismo no mercado de trabalho e capitalista nos joga em trabalhos tão quão precarizados.

Quando falamos que nós somos mais cobradas a mostrar serviço não é porque a pessoa que nos supervisiona (seja ela professor, chefe, qualquer pessoa que supervisiona algum trabalho intelectual) quer saber se realmente estamos fazendo o certo, é porque o racismo diz que não podemos desenvolver trabalhos intelectuais e isso vem desde as teorias de racismo científico, que procurava justificativas para emburrecer pessoas negras.

Uma vez que mulheres já têm seu conhecimento duvidado pelo machismo, que tem de forma intrínseca que mulheres devem estar em posições que não pensem muito, mulheres negras sofrem as duas opressões quando querem desempenhar alguma atividade que tenha fama de ser intelectual.

A tecnologia, por exemplo, tem o mercado de trabalho que expulsa mulheres negras. Por um momento me questionei o porquê isso acontecia, será que realmente mulheres negras não se interessam por essa área? Na última palestra que a InfoPreta foi convidada para falar de sua experiência e expansão, um homem branco tinha a seguinte dúvida: “Vocês não acham que mulheres nesse perfil apenas não querem trabalhar com isso? Mulher dificilmente gosta de exatas…”, respondemos negando todos esses argumentos.

Depois desse episódio comecei a me questionar porque ele achava que mulheres no nosso perfil de empresa, leia-se mulheres negras e minoritárias, não gostavam de tecnologia e nem de exatas. Por que essas mulheres não gostariam de algo que integra e que rege a sociedade atualmente?

O que falta é acesso de forma integral, o ensino de tecnologia é elitizado e branco. Não querem que estejamos nesses lugares. Estamos onde conseguimos chegar, em redes sociais e programas de entretenimento. Se estivermos acessibilidade estaremos desenvolvendo, programando, consertando e ocupando esses espaços que devem ser nossos.

 

 

Danielle Esli

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